Edição 2017

Edição

#4

A quarta edição do Festival Concreto trouxe grafite, murais, instalações, mobiliário urbano, esculturas sonoras, performances, rodas de conversa, oficinas, mudança no Centro de Eventos e uma parceria social pioneira. Mais de 100 artistas e o melhor da arte urbana mundial em Fortaleza num festival gratuito e pleno de efervescência cultural A paisagem urbana foi muito além de cimento e vidros em 2017. À margem, um muro cinza- amarronzado, encardido pelo tempo, transformou-se linda e magicamente ao sabor das tintas. Um lugar inóspito e silencioso, no dia seguinte virou um parque pleno de brinquedos, invadido pelo som de crianças rindo alto. Uma praça antes sem graça, contou com uma escultura sonora, conferindo-lhe muito mais charme. Potenciais descobertos e o que era cinza, vazio e frio, virou som cor e vida. Ressurgido, o desprezado virou contemplado. Ressignificado, o que era marginal descobriu-se principal.

Essa é a essência do Festival Concreto, descobrir potencialidades e exaltá-las. Emerge uma outra Fortaleza, de paredes plenas de cores a modificações da paisagem com mobiliário urbano e esculturas sonoras. A sensação de mudança é percebida em toda a capital. E isso faz do Concreto um festival querido e aguardado pela cidade e aclamado por tantos.

Com apoio do Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria de Cultura e ENEL, a 4ª edição do Festival teve início no dia 10 de novembro e seguiu até o dia 26, com a presença de mais de 100 artistas, entre locais, nacionais e internacionais. Dentre os países confirmados estiveram Colômbia, Argentina, Uruguai, Chile, Venezuela, Alemanha, Espanha, EUA, Grécia, Itália, México, Rússia, Colômbia e Finlândia. Foram desde atividades de formação, residência artística, lançamento de livros e de documentários, até bazar de compra de obras de arte e a já tradicional festa de encerramento. Criatividade foi a palavra de ordem. As raízes da autêntica arte de rua em todo seu esplendor peculiar, advindo da sua natureza transgressora, contundente e nada óbvia, estiveram presentes, evocando questionamentos e encantando os olhares dos cidadãos da capital alencarina.

Nesta edição, o Concreto teve alguns diferenciais. O Festival concentrou-se em pontos específicos na cidade e não espalhados por ela, como nas edições anteriores. A primeira fase foi a pintura de todas as paredes laterais externas do Centro de Eventos do Ceará. A programação de lançamento do evento começou na sexta-feira, 10 de novembro, quando artistas convidados chegaram à Fortaleza e iniciaram a ação. Foram quatro paredes, cada uma medindo 90m x 24m. A previsão era de que os artistas finalizassem o trabalho até o dia 18, contudo esse prazo foi estendido, devido ao diâmetro dos muros em questão. Uma ousada empreitada que exigiu dedicação dos envolvidos, num trabalho árduo, contudo o resultado será um enorme cartão postal de grafite multicolorido, num dantes monocromático Centro de Eventos no Ceará.

A segunda etapa, não menos ousada e plena de beleza, englobou a parceria do Festival Concreto e Escola de Arte Urbana Amplitude com a SEAS - Superintendência do Sistema Estadual de Atendimento Socioeducativo, cujos Centros Sócio - Educacionais foram contemplados com arte urbana por dentro e por fora, por meio de grafite, oficinas, instalações e mobiliário urbano. A parceria estabelecida visou beneficiar os quatro Centros, todos localizados no Passaré, bem como promover interação com a comunidade local. As atividades tiveram início no dia 20 de novembro com um “evento de acolhida” no local, no qual visitantes e comunidade local interagem enquanto instalações foram montadas .­­­­­ Em seguida, começou a pintura dos muros dos Centros. Destaque para a participação de alguns internos nas ações como “ajudantes de pintura”, ensaiando pinceladas com renomados artistas do grafite, com direito a inclusão de suas assinaturas no final juntamente com a do artista auxiliado por eles.

O Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura e a Escola Porto Iracema das Artes também foram agraciados com belos novos murais, pintados por artistas do Festival. E as novidades não pararam, de uma parceria do Festival Concreto com WAD – World Art Destination, agência mexicana especializada em arte urbana, sediada em Cancun, nasceu a ideia do intercâmbio de residências artísticas. Nesta edição, o Concreto trouxe seis artistas mexicanos para Fortaleza e em 2018 enviará artistas daqui para participarem do FIAP - Festival Internacional de Arte Público, que acontece em Fevereiro/Março de 2018 em Cancun. Destaque para Libri Gutierrez, pintor e criador de esculturas especialmente para instalações, ele realizará uma residência no Centro Educacional do Passaré, onde desenvolverá um projeto destinado sobretudo ao envolvimento e integração dos jovens internos.

Outro ponto alto das atividades desta edição foi a criação de um parque para crianças no bairro Jangurussu, totalmente elaborado com mobiliário urbano. O parque foi construído nas instalações do FAC – Fundo de Acolhimento Comunitário, no Jangurrusu.

Atividades

As atividades seguiram durante 16 dias com ações variadas: pinturas de murais e grafite, palestras, ação de mutirão do ateliê itinerante CarRUAgem; palestra­­­­­­­­­­­­­­­­s e debates, rodas de conversa, oficinas, bazar e exposição das obras dos artistas do Festival Concreto 2017 e do Choque Cultural, oficina de Stêncil para crianças + CarRUAgem com OZI no Estoril e festa de encerramento.

Sobre o Festival Concreto

“Criar uma galeria a céu aberto”. Essa era a proposta inicial do Festival, segundo Narcélio Grud, seu idealizador. Na sua quarta edição, o projeto apresentou quase quatrocentos artistas. Grafite, mobiliário urbano, bazares, oficinas, palestras, festas, fartos questionamentos e inúmeras criações, as quais, utilizando-se do potencial arquitetônico da capital, objetivaram criar uma nova história para a cidade.

Os propósitos se expandiram, assim como o Festival em si, cujos objetivos vão além de intervir, produzir e difundir a arte urbana. O Concreto também visa promover o diálogo com culturas diversas, bem como ampliar seu poder de voz no âmbito da responsabilidade social, trazendo para si esse compromisso, de forma crescente a cada edição. A parceria com a SEAS de forma perene a partir desta edição, foi uma das coroações dessa intenção.

Tal qual os artistas, que precisam dialogar com a intensidade de luz na cidade do sol e saber trabalhar com seus contrastes, o Festival Concreto lida com a constância das adversidades da cidade e seus panoramas caóticos. O Concreto mostrou a arte urbana como possibilidade de transformação social, capaz de traçar novos caminhos no processo de desenvolvimento, e progresso da civilização; transmitindo, através da criação e observação uma série de valores, tradições e ideologias que vem fortalecer, reformular e regenerar a identidade do lugar, demonstrando que mesmo num cenário por vezes hostil, a beleza urge em se sobrepôr ao caos.

SOBRE A PARCERIA ENTRE FESTIVAL CONCRETO E SEAS:

A parceria com a SEAS foi vislumbrada ainda no ano passado, pelo Superintendente da SEAS, Cássio Silveira Franco, ao conhecer o Festival Concreto e enxergar seu potencial. Em 2017 então, no começo do planejamento da edição, Narcélio Grud entrou em contato com ele e a parceria vislumbrada foi estabelecida. Parceria essa que começa agora e terá continuidade via Escola de Arte Urbana Amplitude com cursos para professores e internos dos Centros Sócio Educacionais a partir de 2018. A afinidade entre esses projetos é tão inequívoca quanto necessária e a intenção de ambos não poderia ser mais inovadora e colaborativa. As expectativas são excelentes e isto fará da junção SEAS e Amplitude, pioneira enquanto projeto social-educativo por meio da arte urbana. “Descobrir potenciais, valorizar e exaltar”. Perfeita concordância com as premissas do Concreto.

A Superintendência do Sistema Estadual de Atendimento Socioeducativo (SEAS) é um órgão do Governo do Estado, porém autônomo administrativa e orçamentariamente e responsável pela execução das medidas socioeducativas de internação e semiliberdade referente aos adolescentes e jovens a quem se atribuem a prática de ato infracional. O planejamento da SEAS fundamenta-se na premissa de estabelecer mudança de paradigma, buscando, de forma coordenada e articulada, fortalecer vínculos entre todos os atores que integram o Sistema de Garantia de Direitos, objetivando conferir a eficácia dos serviços destinados ao atendimento do adolescente em cumprimento de medida socioeducativa.

O objetivo passa por aperfeiçoar processos e práticas e introduzir mudanças qualitativas fundamentais no programa para esses jovens. Esse trabalho vem na contramão do sistema que é largamente utilizado, com concepções arcaicas e marcadas pelo modelo correcional repressivo e assistencialista, próprios da Doutrina da Situação Irregular.

Sob a superintendência de Cássio Silveira Franco, a SEAS quis ingressar em um novo momento histórico caracterizado pelos princípios norteadores e universais do respeito aos direitos humanos, perseguindo a melhoria constante e mantendo o foco na construção de um Sistema Socioeducativo genuinamente humanizado e integrador. Em Fortaleza, a SEAS compreende quatro Centros Sociais Educativos: Dom Bosco, São Francisco, São Miguel e Passaré. Cada Centro tem capacidade para 90 internos em média.

SOBRE O PARQUE ELABORADO EM MOBILIÁRIO URBANO PARA AS CRIANÇAS NO JANGURUSSU

Outro ponto alto das atividades desta edição foi a criação de um Parque para crianças no bairro Jangurussu, totalmente elaborado com mobiliário urbano. O parque foi construído nas instalações do FAC – Fundo de Acolhimento Comunitário, que funciona no bairro.

Este parque foi desenvolvido por um grupo multidisciplinar que envolve arquitetos, urbanistas, designers e artistas que se encontram todas as semanas na Amplitude – Escola de Arte Urbana, onde funciona também o atelier de Narcélio Grud, no Benfica. A ideia surgiu desde a segunda edição do Concreto, que foi quando o mobiliário urbano entrou no Festival.

Na primeira edição, foi pensada uma linha de mobiliário urbano mais ligada a arte urbana, com apelo criativo e artístico, para além do que o mercado convencional oferece. Foi criada a Arquibancada para o pôr do sol, na Praia de Iracema. Os objetos utilizados como base foram feitos de concreto. Foram elaborados ainda sofás, esculturas, jogo de postes, bocas de lixeiras e protetores de árvores. Já em 2016, o plano foi mais audaz, com a proposta de revitalização do espaço das caixas d´água no Benfica. Local que se encontrava em estado de abandono. A área foi requalificada com limpeza, tapumes, enormes balanços, muita pintura e foi cenário do evento de encerramento do Festival nesta edição.

Neste ano, um grande e sortido parque criativo foi implantado no bairro Jangurussu para alegria das crianças da comunidade local. O projeto foi contemplado pelo Edital Cultura da Infância pela Secult-CE. Ainda nesta edição, o mobiliário urbano implantou na cidade quatro esculturas sonoras em quatro praças e desenvolveu peças de mobiliário a fim de proporcionar sombreamento em locais com muito sol, tais como paradas de ônibus.